segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O Rouxinol e a Rosa



Oscar Wilde (1854 - 1900) Dublin. Escritor e poeta irlandês 

Explorando então uma parte menos conhecida da obra de Wilde, os contos, deparei me com esta fábula, escrita para os seus filhos. Por esta razão teremos acesso a uma faceta mais circunspecta do escritor, não obstante os temas ser-nos-ão familiares: o amor, o desejo e, a arte.

Um estudante chora a sua frustração por não ter uma rosa vermelha, para dar à rapariga que deseja.
O rouxinol - que representa o artista em estado bruto, ou seja, vive quase somente para a arte- vê no sentimento do jovem personificada a sua música, e consequentemente decide partir ao encontro da tal rosa. Ao fim de visitar várias roseiras em vão, descobre então uma que lhe oferece um pacto, o seu sacrifício pela flor. Depois de reflectir decide que a vida de um pássaro, em nada se aproxima da importância do amor humano.
 Então no dia seguinte o rapaz colhe a rosa e corre a entregá-la à rapariga - esta parte, confesso que me deu alguma piada - a jovem rejeita a flor pois já tinha sido presenteada com jóias pelo filho do Camarista (vereador da câmara), e que a importância da rosa em nada se aproximava à das jóias. O estudante, automaticamente, deita fora a rosa que é esmagada pela roda de um carro.

Acho que o sentimento que imediatamente sentimos é de injustiça, certo? Pobre rouxinol, sacrificou a sua vida por um capricho humano, que em nada enobreceu a sua morte.

Penso que Wilde tinha a intenção de, por meio deste sentimento, mostrar aos seus filhos como o desejo humano pode ser fugaz; e acima de tudo ter atenção à importância que atribuímos às paixões ou tentações, pois podem revelar-se tremendas desilusões.

'' - Cá está, finalmente um verdadeiro apaixonado! - exclamou o Rouxinol.- Noite após noite o tenho cantado apesar de o não conhecer; noite após noite contei a sua história às estrelas e vejo-o agora.'' Oscar Wilde

'' Amarga, era amarga a dor e cada vez era mais ardente o seu canto, porque cantava o amor sublimado pela Morte, o amor que não morre no túmulo. '' Oscar Wilde

''Cada um dá o que tem no coração, e cada um recebe com o coração que tem'' não pertence ao conto, nem sei se esta frase pertence a Oscar Wilde, apesar de ver ser lhe atribuída a autoria em alguns blogs

 Vilhena Lopes , 22 de Dezembro de 2014







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