terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O espião



Máximo Gorki ou Aleksei Peshkov (1868- 1936) Moscovo. Escritor, romancista, dramaturgo, contista e carismático político.



1€, Feira da ladra de Lisboa 


Há livros de que gostamos. Muitos, desprezamos. Poucos que adoramos. Variadíssimos, olvidamos. Este porém na quarta categoria, onde encontrar-se-à certamente num devir próximo.
 Gorki não me conseguiu prender ao seu livro, que de maneira nenhuma me encantou. Soou-me demasiado corriqueira esta estória de um moço humilde pertencente à populaça, que ainda adolescente foi entregue a um qualquer mundano,dono de uma loja de livros, pelo seu tio. A partir daí, e já na cidade, onde Evsei Klimkov vai crescendo na sua característica solidão,um tanto ou quanto misantropa, vive a vida indefinidamente, ao jeito dos seus colegas espiões, seres egoístas e sem moral. 
Considero-me algo avesso à moral, e apesar de me satisfazer a visão sociológica de Evsei, a estória em si, carece de criatividade e da animosidade necessárias para nos prender até ao fim das páginas,e nos entristecer após a sua morte.
A atitude não pensante dos representantes do Imperador,contrastando com a inteligência dos livres-pensadores, torna-se quase irónica, culminando em expressos combates não só cerebrais como físicos. Evsei na sua ininteligência, debater-se-à cada vez mais, sobre as valências da sua profissão e do contributo, se existe, para os seus coabitantes.
Gorki, representante dos poderes do proletariado fica muitíssimo atrás do que a literatura Russa havia produzido alguns anos antes, o que apesar de expectável, não deixa de entristecer.
Ainda assim o medo, a ganância, a ânsia, o poder, os interesses e muitos outros alicerces da obra interior humana estão expressos nesta obra: considero apenas que de forma errónea.



Martim Infante, 1 de Dezembro de 2014

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