Prenda
As peças, enquadradas, assumem importância arqui-excepcional. A dimensão emocional torna-se ainda mais crível, e a imanente possibilidade de se associar formas de ser e estar, a seres enciclopédicos, é fascinante.
Walter Scott é conciso e preciso na identificação histórica. O que poderia ser considerada uma obra juvenil, toma particular importância na pseudo-moderna sociedade. O consciente desdém pelo passado, alimenta-se erroneamente pela preocupação futura. Surgiu, nas primeiras páginas, a necessidade e o ensejo de me auxiliar de outros meios explicativos: evoluí. Evoluí no saber, ser independente da reflexão e do sentido, mas estimulo de vida mais consciente.
Ponho em realce o título: Ivanhoe. Compreendo a escolha, direccionada na essência pela enlaço da personagem em toda e tudo da estória. Mas as suas intermitentes aparições, dão a sensação da personagem novelesca: detentora de um mérito sempre alheio e alheado.
No meio de saxões e normandos, nazarenos e judeus, a história fluí com tamanho realismo, que as páginas viram tela. A intriga monárquica eleva-se, e é pelo mistério resolvida. O orgulho, a honra e a brutalidade da vida, milénio atrás, só se equipara com as antagónicas, mas não menos perniciosas, qualidades actuais. É talvez este, o ponto cíclico da nossa própria existência, que alcança especial relevo no meu cérebro. Se antes era pela honra que nos regíamos, é hoje na desonra que os nossos dias se sobrepõem.
A leviandade do género humano, sempre presa em questões tão impudicas, esquece sempre o que é ser grande. O autor deste trecho só o pode ser; os restantes, são seus súbditos.
"Tanto como a neve de Dezembro espera pelo sol de verão." Sir Walter Scott
Martim Infante