sábado, 22 de novembro de 2014

Cartas a um Jovem poeta, Cartas a uma Jovem


Rainer Maria Rilke (1875-1926) Praga, Montreux. Poeta.



3€ / 2€ Alfarrabista de Tomar

De onde provém a nossa inspiração? De mim e dos outros, de mim devido aos outros e quem sabe um dia, dos outros devido a mim.
Tive o ensejo de me ser apresentado Maria Rilke, como poeta que foi. No entanto sem teatro, a satisfação sentida ao ler estas páginas foi soborbosa, magnífica. Existem determinadas coisas que nos basta observar para experienciarmos um impulso, poderei chamar assim, imaginativo, algo que de um momento para o outro nos leva para um qualquer outro lugar, que certamente em nada se equipara a este. 
A solidão como base para uma possível intropatia, e sim, apenas e só dessa forma quebraremos o consensual para podermos, se tivermos essa capacidade, atingir o nosso fundo.
Estes dois livros, de semelhante estrutura, revelam-nos um colóquio de correspondência; achei extremamente caricato o facto de Rilke mudar de "casa" quase de dia para dia. Até nisso mostra a qualidade do homem presente neste homem, o desprendimento, possivelmente transcendente ao próprio homem, em concordância com as suas infelizes crenças: a perfeição não existe mesmo.
Maria Rilke escreve que há certos livros que nunca devem abandonar a nossa secretária, o nosso espaço: estes dois, em especial o "Cartas a um Jovem poeta", não abandonarão certamente, pela exuberância com que em tão pouco tanto me revelam.
Pergunto-me se os livros de auto-ajuda terão vindo procurar os seus alicerces nestes textos. Se estiver enganado, estarão também aqueles que julgam que com e pelos outros, se passará a nossa própria transformação.

"Para um criador não há pobreza e nenhum lugar é indiferente e pobre". Rainer Maria Rilke


                       Martim Infante, 21 de Novembro de 2014


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Frankenstein


Mary Shelley (1797-1851), Londres. Escritora, contista, dramaturga e ensaísta de profissão.


1€, Feira da Ladra


Frankenstein não é o monstro, mas sim o seu criador. Ou será o monstro o criador de um monstro sem igual? Tal como o monstro humano criador do deus bíblico monstruoso? Não pretendo aventurar-me em temas em que denoto extrema ignorância.

A filosofia do viver, das ambições, desgostos e quereres, imanentes ao espírito humano, estão bem patentes nesta estória que ante um curto número de páginas, tantas emoções transparece. 
Victor Frankenstein surge-nos como sendo um eterno viajante, que sozinho ou acompanhado pelo seu amigo Clerval, se cultivam a uma velocidade alucinante; no entanto Victor terá de debater-se com o facto, intransponível, de ter criado um ser gigante e totalmente inadaptável ao mundo por nós habitado.
A brutalidade dos sentidos, o furor da vida e a desgraça que lhe é implícita é, de forma brilhante, exposta em "Frankenstein".


"A vida é tenaz e prende-se ainda mais aqueles que a odeiam."
"O homem que torna a sua cidade natal pelo mundo é mil vezes mais feliz do que aquele que aspira tornar-se demasiado grande."     Mary Shelley 



                                                                                 Martim Infante, 17 de Novembro de 2014