Antoine de Saint-Exupery (1900-1944) França . Escritor ; Piloto
5€ Alfarrabista
A ausência de medo é premissa para grande parte dos heróis. Se esta ausência é racional ou irracional não interessa. Podemos estar perante um corajoso ou um louco, mas que diferença existe na prática?
Estamos no pré-II Guerra Mundial, em Buenos Aires, onde se encontra o quartel duma companhia de correio. A realização de voos nocturnos, apesar de arriscada, é necessária devido ao tempo que não podem perder para outros meios de transporte. Nesta altura os aviões viajam a altitudes muito inferiores , o que os sujeitava completamente às condições do meio.
Os pilotos são então retratados como heróis. Seres superiores. Que não cedem a essa coisa tão humana que é o medo. E como motor desta causa temos Rivière que coordena a rede de aviões a partir do campo de aviação de Buenos Aires, através de telegramas trocados com as varias estações de comunicação por radio . É ele a personagem principal, o impulsionador filosófico pela maneira como encara a profissão; pelas suas declarações; um estóico. Esta atitude é enobrecida ao longo de toda a obra, atingindo o seu apogeu num capítulo que lembra a trágica história de Ícaro: um piloto rodeado, há muito, por uma tempestade decide voar para cima direito à luz para escapar daquele sufoco, mesmo sabendo que isso muito provavelmente significaria ficar sem combustível ou rota. Mas chegando ao cimo ele sorri e apraz-se com a visão proferindo: ''É demasiado belo''.
Exupéry apresenta-nos os dois mundos pelos quais devotou a sua vida: a escrita e a aviação. Tendo mesmo morrido num acidente de aviação sobre o mar Mediterrâneo na II Guerra Mundial. Vejo-o como um exemplo de vida, um diamante em bruto, que apenas seguia a suas convicções. Acima de tudo: a sua arte.
''Começou aquela profunda meditação de voo em que se saboreia uma esperança inexplicável''
'' ''Há que empurrá-los'' pensava ''para uma vida forte que traga sofrimentos e alegrias, mas que é a única que conta'' ''.
''Mas existe uma fatalidade interior: há um momento em que nos sentimos vulneráveis; então os erros atraem-nos como uma vertigem''. Exupéry
Vilhena Lopes
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