Gabriel García Márquez (1927-2014) Colômbia, México. Escritor, jornalista, editor e activista.
1€, Feira da ladra de Lisboa
O amor. Esse tão misterioso e insondável sentido. Sim, sentido. Tal como os seus semelhantes, nos enleva e reconhece toda a beleza que a realidade esconde, apenas e só, por ser real. Esse amor, próprio ou partilhado, possuidor da única magia que o ser humano poderá intitular como sua. Todo o amor é diferente.
É da grandeza e surpresa deste amor, que estas páginas celebram. A inimaginalidade deste amor é sobre-humana. Não tem a capacidade de metamorfosear a realidade protagonizada, porque o ser humano não reconhece o passado, senão na sua memória utópica e sonhadora. Tem o leitor o ensejo de entender, em toda a sua imensidão, o que nos pode revelar, esse amor.
Esse louco, Florentino Ariza, acreditou toda a sua vida no que sentiu. Não por o ter sentido, mas sim por vivê-lo diariamente. Amou e não conseguiu mostrar-se para ser amado, não se importando no entanto de dar a sua vida por ela, Fermina Daza. Ainda que nada contribuindo para a sua felicidade. Esta paixão não se consagra num intento físico, sempre perecível. Permanece vincada nas entranhas de Florentino, talvez porque tudo seja fortemente mais e melhor vivido, antes de o ser. Não deixando o ser, de ser, por ser vivido.
Hoje os que por ai dizem amar, não mais esperam do que um momento pelo seu concubino. Florentino esperou cinquenta, não dias, mas anos, sem a certeza da certeza: causadora da destruição matrimonial. Esperar a morte alheia para amar. Usar e abusar para amar. Sofrer, para amar.
Os devaneios terrestres de Garcia Márquez são formidáveis. Não me esqueço de um livro seu, finalizado por uma tão apropriada palavra: merda. Porque por vezes pouco ou nada há a acrescentar. E porque essa escrita pomposa e floreada, é tantas vezes senão apenas isso.
Vivi nestas páginas o sentido do amor e todos os seus esforços. Contrariando a minha incapacidade de separação entre amor carnal e final. A beleza do amor, único e original, num texto que não oferece espaço para ser acreditado, mas sonhado. O amor como nunca antes percebido.
"... é a vida, mais do que a morte, que não tem limites"
Gabriel García Márquez
Martim Infante, 21 de Fevereiro de 2015
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